O tempo passa e por defesa ou desilusão as pessoas acabam tendo a ideia vil de se esconder, se permitir calar, tapar os ouvidos, fechar os olhos e é como se elas se colocassem em um quarto, um quarto sem janelas, onde a única porta está bloqueada por uma camada grossa e quase intranspunivel chamada medo. Esse estado de desilusão, de desespero costuma ser consequencia de situações que se passam na vida de cada um, onde alguns se fortalecem e outros se sentem ainda mais fracos ao ponto de criar para si uma prisão, não necessariamente física, mas a pior das prisões, uma prisão psíquica, uma prisão mental.Por mais que nossos medos se levantem contra nós, nos aprisionando e privando do mundo, não nos cabe a covardia de nos entregar de forma chula, nos permitindo o aprisionamento e a condição muda que o medo nos impõe. É preciso, antes que isso aconteça, que sejamos imponentes contra os medos e inseguranças, é preciso abrir espaço para que a luz das certezas que nos movem e das duvidas que nos levam adiante esteja sempre a nos tocar. Quanto aqueles que já se renderam ao medo, é preciso reação, coragem para sair da condição de enclaustramento em que possam se encontrar, mesmo que de forma dolorosa, tendo que criar janelas com os próprios punhos, pois é certo que não há nada mais doloroso que uma vida sem luz.
É preciso além de estar firme e forte, estar atento, de olhos bem vivos para saber de onde vem a luz, para poder também segui-la, tal como um girassol segue o Sol ao longo do dia. Manter as janelas da alma abertas é fundamental, a luz não atravessa paredes e perde seu brilho quando tem que romper cortinas, ou mesmo vidros. As janelas abertas são convite para manter o nosso interior sempre iluminado, mesmo que em meio a tempestade nossa casa possa vir a se molhar, a própria luz que segue as chuvas hão de secar todo o lugar.
Pessoas por natureza iluminadas, tendem a iluminar os lugares por onde passam, essas tem a missão de vagar livres por todos os cantos resgatando aqueles que vivem à sobra, esses mesmo são os que mais devem tomar cuidado, pois sem eles muitos se perdem. Não importa a condição que se vive hoje, agora, o que importa é a capacidade que se tem de criar o próximo momento, as coisas não precisam ser como estão, mas podem ser como queremos que elas sejam, nossas escolhas nos remetem a iluminação que queremos para nós, e a iluminação que recebemos é a alegria que resolvemos viver.
"O doce Sol da manhã veio invadir minha casa
Iluminando o que era sombra
Aquecendo o que estava frio
A luz simples e singela que restaura a vista
Me faz entender de novo a beleza na vida que tenho
Se põe brilhante sobre meus medos
Fugaz contra meus inimigos
A noite passou depressa, a espera foi amadurecimento
O dia chega trazendo novamente os sons da alegria
O brilho da manhã é como carinho de mãe
Carinho que conforta e repõe na rota
Olhar e ver a luz novamente aqui dentro
É nada além de reencontrar-me
Quando estava perdido vi coisas que me assustam
Mas agora, ao abrir os olhos
Me dou a liberdade de ver o que sempre procurei
Meus amigos e amores perdidos
Meus valores e certezas a tempos decaídos
Minhas riquezas que a própria luz me fez reaver."
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