quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Janelas abertas

O tempo passa e por defesa ou desilusão as pessoas acabam tendo a ideia vil de se esconder, se permitir calar, tapar os ouvidos, fechar os olhos e é como se elas se colocassem em um quarto, um quarto sem janelas, onde a única porta está bloqueada por uma camada grossa e quase intranspunivel chamada medo. Esse estado de desilusão, de desespero costuma ser consequencia de situações que se passam na vida de cada um, onde alguns se fortalecem e outros se sentem ainda mais fracos ao ponto de criar para si uma prisão, não necessariamente física, mas a pior das prisões, uma prisão psíquica, uma prisão mental.

Por mais que nossos medos se levantem contra nós, nos aprisionando e privando do mundo, não nos cabe a covardia de nos entregar de forma chula, nos permitindo o aprisionamento e a condição muda que o medo nos impõe. É preciso, antes que isso aconteça, que sejamos imponentes contra os medos e inseguranças, é preciso abrir espaço para que a luz das certezas que nos movem e das duvidas que nos levam adiante esteja sempre a nos tocar. Quanto aqueles que já se renderam ao medo, é preciso reação, coragem para sair da condição de enclaustramento em que possam se encontrar, mesmo que de forma dolorosa, tendo que criar janelas com os próprios punhos, pois é certo que não há nada mais doloroso que uma vida sem luz.

É preciso além de estar firme e forte, estar atento, de olhos bem vivos para saber de onde vem a luz, para poder também segui-la, tal como um girassol segue o Sol ao longo do dia. Manter as janelas da alma abertas é fundamental, a luz não atravessa paredes e perde seu brilho quando tem que romper cortinas, ou mesmo vidros. As janelas abertas são convite para manter o nosso interior sempre iluminado, mesmo que em meio a tempestade nossa casa possa vir a se molhar, a própria luz que segue as chuvas hão de secar todo o lugar.

Pessoas por natureza iluminadas, tendem a iluminar os lugares por onde passam, essas tem a missão de vagar livres por todos os cantos resgatando aqueles que vivem à sobra, esses mesmo são os que mais devem tomar cuidado, pois sem eles muitos se perdem. Não importa a condição que se vive hoje, agora, o que importa é a capacidade que se tem de criar o próximo momento, as coisas não precisam ser como estão, mas podem ser como queremos que elas sejam, nossas escolhas nos remetem a iluminação que queremos para nós, e a iluminação que recebemos é a alegria que resolvemos viver.

"O doce Sol da manhã veio invadir minha casa
Iluminando o que era sombra
Aquecendo o que estava frio
A luz simples e singela que restaura a vista
Me faz entender de novo a beleza na vida que tenho
Se põe brilhante sobre meus medos
Fugaz contra meus inimigos
A noite passou depressa, a espera foi amadurecimento
O dia chega trazendo novamente os sons da alegria
O brilho da manhã é como carinho de mãe
Carinho que conforta e repõe na rota
Olhar e ver a luz novamente aqui dentro
É nada além de reencontrar-me
Quando estava perdido vi coisas que me assustam
Mas agora, ao abrir os olhos
Me dou a liberdade de ver o que sempre procurei
Meus amigos e amores perdidos
Meus valores e certezas a tempos decaídos
Minhas riquezas que a própria luz me fez reaver."

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Emoções canalizadas

Dados raros momento em que temos a liberdade de explodir, não nos cabe o desperdício desta com futilidades vãs da vida cotidiana. Não nos cabe berrar e nos descabelar com meros acasos rotineiros, um ónibus lotado, um chefe mal humorado, a mãe que não o deixa ver TV quando quer. Nós homens, quanto seres, somos a espécie que mais desperdiça as suas explosões de força, de pensamentos, de ideias. Somos capazes de coisas inimagináveis quando temos o discernimento de canalizar a raiva, o ódio, a ansiedade, o amor, a paixão, tudo se torna combustível quando sabemos como usar de nós mesmos, quando sabemos controlar os nossos lançamentos e sabemos exatamente onde podemos nos expor.
Vejo cada dia mais pessoas que não sabem lidar com seus sentimentos e emoções e por isso cometem atos insanos como se estivessem comprando frutas na feira, contudo estas pessoas não sabem o potencial que guardam em si. É preciso mais que sentir e pensar para agir em qualquer situação que seja, a vida, como uma guerra ou um movimento de paz deve ser planejado e calculado, a explosão, o ataque que acontece no lugar errado pode ferir as pessoas que nada tem a ver com a sua causa e ainda pode te levar a perder o conflito, tal como um movimento de paz feito no lugar errado pode soar sem efeito.
Seja no amor ou na dor, nós temos que aprender a canalizar nossas emoções de forma que elas nos favoreçam e não que sejam causa de condenação, cada pequenos vestígio de força que temos e que usamos para fazer surgir ou destruir a vida a nosso redor, se utilizado da forma e no momento correto nos fariam encontrar uma felicidade que nem me cabe descrever, talvez porque eu mesmo não a conheça, mas acredito que exista.
Julgo que seja necessário neutralizar nossas explosões em nós mesmo por inúmeras vezes, e mesmo o ódio podemos transformar em amor para mover a nossa própria felicidade e a de outros a nossa volta, até porque quem ama, ama alguém que também precisa amar e ser amado. Não façamos mais parte do grupo insano que desperdiça suas forças e seus possibilidade de felicidade, mas sejamos aqueles que no silêncio e no grito fazem gerar vida, cada vez mais e melhor, como se cada explosão fosse uma nova criação como a do primeiro livro, e não a destruição do último.
"São incontáveis os momentos em que sou convidado ao extremo
São tantos os dias em que quero dar-me por inteiro
Quero expor minhas vontades, planos, desejos, medos
São tão gritantes meus sentimentos em dados momentos
Admito que em muitos vezes não me contenho
Sobretudo hoje, dia em que os olhos me transportam
Cada pensamento me leva a lugares onde não sei se quero estar
Minhas mãos tremulas muitas vezes são sinal do controle que não tenho
O passos inseguros soam como passos do homem bomba
O grande "bum" parece tão inevitável que não sei como evitar
Será este o momento de falar, gritar e pedir, ou será...
Silêncio
Não sei nem o que pensar, só sei o que sinto
Não sei se é para sentir ou para agir, fazer acontecer
Mas de que importa, são apenas minhas guerras, minhas pacificação
Mas cada explosão eu sei que é sentida, sutil ou profundamente
Pois sou manso, mas sou também sísmico quando necessário
Juntando tudo em mim, para depois liberar e forma única."

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Perguntas que geram vida

Antes mesmo de começar a leitura do que segue proponho que você se pergunte por que o fará. Pergunte-se por que faz as coisas que faz, ou por que não as faz? Questione-se sobre o que quer fazer, como e quando quer fazer. Mas a cima de tudo busque saber quem é você. A minha geração e as gerações que seguem são formadas por maioria de pessoas que querem respostas prontas, poucas perguntas, mas que todas tenha fácil acesso a respostas.

Penso que quando respostas são encontradas tão facilmente a vida acaba se tornando sem sentido, a vida é gerada pela capacidade intelectual de pensar e refletir a respeito de questões simples, mas profundas cujas respostas não se encontram num livro qualquer, apesar deles serem sempre fonte inesgotável de conhecimento.

As perguntas, as duvidas, as questões por menores que pareçam são combustível e válvula para a geração de vida, geração pensamentos e filosofias que movem não apenas a vida do próprio pensador, mas das pessoas ao seu redor, já que, como disse, existem aqueles que se alimentam de pensamentos e respostas alheias, apesar delas não serem de total satisfação a todos muitos se acomodam, feliz são aqueles que geram no seu próprio senso critico a capacidade de gerar seu pensamento particular.

Enfim, ganhe mais tempo se questionando sobre a sua existência, sobre a sua capacidade de ser e estar, perguntando-se a razão de fazer, de pensar, pense ainda mais em quem é você, qual a sua função, tanto na família, no trabalho, nos lugares onde vai com o intuito de diversão, encontre sua própria identidade, assuma o seu espaço, não seja apenas uma muda de planta no canto da sala, mas permita que suas duvidas gerem vida, uma selva que se levanta contra aqueles que o impedem de pensar.

"Mesmo que quisessem não conseguiriam
Ninguém pode me tirar a capacidade de pensar
O pensamento, a criação particular da minha mente
Este é o poder que tenho e jamais me será tirado
Os Paços que dou e os que não dou são gerados pelas questões
São elas que me movem e me fazem mover
Tudo que faço tem por objetivo resposta
Saber quem sou, o que sou é fundamental
Tenho necessidade de entender as minhas funções
Como homem, como bicho, como profissional ou pessoa
Sou movido pela incerteza, ou pela certeza
De certo não vou parar enquanto tiver a capacidade de pensar
O impulso do saber é o meu principal gatilho
Sou disparado com voracidade, me ponho de pé
Os passos firmes mostram onde quero chegar
Não posso responder a todas as perguntas
Mas farei novas perguntas encima de cada resposta."

sábado, 14 de agosto de 2010

Naturalmente natureza


Deitei para dormir a pouco, mas o vento na janela do quarto me fez levantar, me parece incrível como os ventos parecem muitas vezes a voz da natureza que grita muda diante de tudo que tenta se levantar contra ela. Confesso que as vezes, em meio a fortes ventanias e tempestades, me pego com medo, medo de que o que acontece possa ser a fúria incontrolável das forças naturais, medo de que um sopro no meio da noite, ou mesmo no fim da tarde seja o ponto de partida para o meu ultimo suspiro.

Sei que essa visão pode soar em suma surreal, mas acho também que a mente que não viaja nas peripécias da natureza não irá chegar muito longe daquilo que já é, então abro minhas asas e vejo mesmo nos gritos mais altos da natureza o troco, a resposta a tudo que tiramos dela. Como um animal coagido, ou mesmo como uma criança que perde um brinquedo ou um homem que foi surpreendido com uma perda, qualquer que seja, a natureza se faz pequena para depois se levantar em sua soberania e inigualável força contra aqueles que a fazem mal.

É como um corpo que perde um pequeno pedaço e tem suas reações, ao primeiro sinal de dor ele se recolhe, em seguida se levanta com violência, agride o agressor, se regenera com um pedaço de carne e pele ainda mais grossa, mais forte, mesmo que não seja com a mesma beleza que havia anteriormente. Vida invisível, escondida no manto verde das matas ou nos lençóis azuis do mar, vida forte que aparenta fraqueza apenas para incorporar a beleza ainda mais pura do singelo, beleza sutil e fugaz, dócil e sagaz que deita e se faz de cama para quem a serve, ou se levanta de armas em punho contra aqueles que a agridem.

De fato não haverá impunidade para aqueles que a tentam punir, não haverá esquecimentos para os que a preservam, a nobre mãe de todos é justa e bela, dá o que tem de melhor na medida que lhe cabe dar, não se pode cobrar mais do que é dado, quem cobrar um presente de maior valor ao visitante, ou ainda ao dono da casa. A natureza, mãe, filha, amiga e serva se permite o uso livre, mas que o uso não se torne abuso, ou ele mesmo se fará condenação.
"Sou doce mãe dos pobres e sábios que me amam
Sou amiga dos que me querem bem e me usam com discernimento
Sou dona do tudo e tudo dou sem nada cobrar
Sou pura na essência e linda na superfície
Sou rica em todo o meu corpo, riquezas vivas e sem vida
Sou aquilo que me compõe, o que você vê ou não
Sou o ar, a água, a terra, o fogo, o metal
Sou o que você precisa e o que você rejeita
Sou você quando nasci, quando vive e até depois de morrer
Sou tudo que não encontra em si
Sou tudo que procura em mim, mesmo sem saber
Sou a tua alegria, teu gozo, tua tristeza
Sou tuas lágrimas que molhando tua alma gerando vida
Sou suave e doce como nenhuma criança sonha
Sou em suma natural, sou eterna natureza."

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Valor nacional

Cara, não sei o que ou como falar para me expressar, caramba, como pode? Esse texto vem como uma forma de indignação, não consigo entender as coisas que passam na cabeça dos nosso políticos, pior ainda, não entendo o que passa na cabeça dos eleitores. Eu sou brasileiro e me orgulho muito disso, me orgulho da natureza do nosso país, a garra do nosso povo e até a sua criatividade, mas não posso me orgulhar de um corpo politico que quer eleger frutas e pessoas sem se quer uma meta decente de governo.

Onde é que nós estamos com a cabeça que permitimos tais disparates para cima de nós? Não tenho palavras para descrever o quão desnorteado me encontro em ver as opções para dar o meu voto de confiança, pior é pensar que meu voto pode ser mudo, pois aquele ou aquela que tem capacidade para governar o país não é aquele que tem o maior peito ou bunda, não é aquele que tem maior popularidade, ou pior, não é o que tem mais dinheiro para comprar a campanha e os eleitores. Já é passada a hora do nosso povo abrir os olhos e ver em quem vota, já passamos do tempo de cobrar dos nossos políticos eleitos um atitude e leis sérias que dêem poder, voz e melhorias para a população e não leis que privilegiam e tornam ainda mais impunes os próprios políticos. Será que eles já ouviram falar em conflito de interesses? Será que você que está lendo já ouviu falar disso?

Não vejo o povo brasileiro como um povo ignorante ou burro, mas um povo que se deixa enganar por sua boa fé, por confiar naquilo que é dito, temos que parar de ficar satisfeitos com aquilo que nos é dado de forma mastigada e pesquisar, saber em quem e no que estamos votando, o que estamos escolhendo como futuro nosso e da nação. Não somos apenas um povo ignorante que se contenta com uma politica básica e falha baseada em pão e circo, somo um povo sério que busca seus direitos e precisa vê-los respeitados, não é uma fruta qualquer que representa este povo, não, não são bandidos condenados e pessoas despreparadas que devem estar a nossa frente como lideres, mas sim pessoas qualificadas que saibam o que fazem e que presem pelo bem estar e pelo cumprimento das leis, leis que são voltadas realmente para o povo e não para aqueles que as fazem.

"Olhei a minha volta e vi muito do que não quis
Vi panelas vazias, roupas rasgadas, camas de papelão
Vi crianças sem ensino e outras que morriam sem nome
Vi e conheci pessoas sem identidade, longe de ser a identidade de algo
Vi pessoa que falavam errado e viviam certo
Vi também outras que falavam certo, mas o que viviam não se fala
Ouvi coisas das quais duvido
Ouvi outras sobre as quais tenho certeza
Tenho certeza de que jamais passarão de palavras
Pessoas parecem tão capitalizadas
Outras parecem que nada pode comprar ou corromper
Pessoas são apenas pessoas com suas vontades
Com necessidades à serem assistidas
Não se compram, não se vendem
Mas confiam naqueles que estão a sua frente
Brasileiros são confiantes em si e nos outros
Brasileiro sou eu, você e até nosso políticos
Brasileiros precisam ser personagens, mais que figurantes."

domingo, 8 de agosto de 2010

Acompanhamento paternal

Como não podia deixar de ser, hoje é dia de falar daquele que foi e é exemplo, o escudo da vida e por vezes também foi a espada e a ponta de lança contra as dificuldades, aquele que foi financiador, cobrador, psiquiatra, pediatra, jogador de futebol, engenheiro, bombeiro, motorista, herói. Falar de pai, do meu ou do seu é simples, divertido ou doloroso, mas de uma forma ou de outra pai traz sempre uma certeza, definição do caminho de vida.

Não sei se existem estudos sobre isso, mas acredito que tudo que tomamos como direção na nossa vida parte daquilo que tivemos como experiência com nossos pais, mesmo que eles não tenham estado presentes na nossa vida isso já nos dá alguma partida para um caminho. De modo geral olhar para os pais é ver o reflexo do que somos, ou ainda uma imagem daquilo que gostaríamos de ser, pelo menos é assim comigo.

Vejo no meu pai a imagem do homem de carater invejável, personalidade firme e reputação lapidada com o tempo de forma limpa. Além do exemplo de homem que tenho nele acho que só tenho a agradecer por todas as direções, conselhos e até puxões de orelha que levei do meu pai, tenho total certeza de que o homem que me tornei, meu senso critico, minha capacidade analítica e a minha ciência e fortaleza sentimental são resultado daquilo que meu pai me deixou ou não viver.

Este dia que é tão especial não é apenas para parabenizar os pais, mas também para agradecer pelo esforço deles em serem aquilo que precisamos, mesmo que nem sempre sejam o que queremos, mas pai deve ser mesmo isso, suprir todas as necessidades do filho, seja lá como for e as vezes ir contra a vontade deles, afinal não há no mundo homem que tenha tudo que quer.

Sem me prolongar mais, quero encerrar uma vez mais agradecendo ao meu pai por tudo que sou e tudo que tenho, as vezes que me doou afeto, carinho, atenção, gritos, brigas, dinheiro e tudo mais que eu precisei, obrigado pelo sim e pelo não, pelas vezes que me liberou e as vezes que me prendeu, obrigado pai por entender e aplicar na minha vida o verdadeiro significado dessa palavra e mesmo hoje, depois de adulto ainda acompanhar o meu crescimento, como da primeira vez em que reparou o tamanho mínimo das minhas mãos de recem nascido.

"Me pegou no colo e olhou os meus olhos quase fechados
Aquela foi a primeira vez em que me deu segurança
Me olhando nos olhos disse que cuidaria de mim e me faria um homem
Aquele ato não poderia se limitar aquele pequeno momento
Não podíamos ficar com palavras ditas num dia do qual eu nem lembraria
Ele cumpriu bem o seu papel, foi pai por toda a minha vida
Pai, me viu crescer, aprender, me machucar e me curar
O sim e o não, o retrato de paradoxos que nunca entendi
Mas que conheci e me ensinaram a ser um homem
Não um homem como muitos pensam, mas homem na mente
Aquele que pensa e que age como alguém consciente
Pai, que nem sabia ser pai, mas foi o melhor que poderia ser
Me ensinou a também ser filho e a enxergar o que poderia me tornar
Te ver na minha frente em todos os momentos que precisei
Ver teus braços abertos quando estava quase caindo
Obrigado por não falar mais e nem olhar tanto nos olhos
Mas com suas atitudes e gestos dizer sempre
Que cuidará de mim e me mostrar como ser um homem."

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Duas faces de uma sociedade

É difícil pensar assim, mas é necessário perceber que cada um de nós é responsável por tudo que vivemos na sociedade nos dias atuais, somos nós que contribuímos, que damos incentivo para tudo que vemos hoje. Esta semana fiquei revoltado ao receber o panfleto que anunciava a candidatura da Mulher Melão a Deputada estadual por sei lá qual partido, na hora nem pensei direito, apenas repetia para mim mesmo "onde é que iremos parar".

Mas pensando bem, de quem é a culpa disso senão da própria sociedade? É a juventude de hoje que financia essas candidaturas absurdas, somos nós mesmo que damos incentivo para que frutas estejam almejando o poder, seja ele legislativo, judiciário ou executivo. Alimentados por valores cada vez mais banais, levados por impulsos fracos e primitivos as pessoas vão se deixando levar, vão se fartando de tamanha hipocrisia, que chegam ao ponto de eleger e criticar a pessoa que coloca no poder, e essa mesma hipocrisia não é só para "cima", criticando os ricos e poderosos, mas segue também o caminhos inverso, onde se critica os pobres, que talvez sejam pobres por culpa da pessoa que você coloca no poder.

Pensando comigo, refletindo encima de uma musica ("Cidadão de Papelão" - O Teatro Magico), me coloquei a pensar, quem é mais catador de papelão, o homem que varre a rua atrás do seu sustento ou eu e você que mendigamos sentimentos, atenção, ação dos nossos governos ao invez de fazermos nós mesmos aquilo que se deve ser feito? Quem é que tem o "motivo" de olhar torto para o outro, o pobre, o mendigo que é visto como coitado ou como vagabundo, incapaz, ou nós que o olhamos como pessoas menores, ou até menos, os vemos como quase bichos, quase seres viventes ao invez de seres vivos.

A minha conclusão é apenas pensar e lutar para fazer acontecer o fim dessa hipocrisia, a começar por mim, financiar as coisas que eu mesmo critico é muita falta de bom senso, o fim das criticas e o inicio da ação, a minha ação, mesmo que pequena e pouco notável é o suficiente para promover o inicio de uma mudança maior, quanto aqueles que venha contra ti, aqueles que possam vir a criticar os seus passos de mudança, é preciso lembrar que são esses os mesmo hipocritas que criticam e detonam os monstros que eles mesmo criam.
"Dois homens que caminham solitários
Passam por uma mesma pessoa
Um a olhar e jogar uma moeda
Outro a olhar, mas não passar
Um que dá a moeda como aquele que quer afastar o cão
Outro que para e conversa para atrair o amigo
Um que alimenta por hoje, para se sentir bem
Outro que alimenta a alma para sempre,
Aquele que faz sentir-se bem
Um que dá passos a frente preocupado com o monstro que deixou
Outro que para sem nem mesmo pensar no monstro que já passou
Um que jamais vai olhar, um que se ver não lembra
Um que deixou a beira do caminho as verdades que nunca teve
Outro que carrega consigo aquilo que crê,
Outro que mostra o caminho de vida, de luta, de paz
Aquele que oferece sabedoria e ciência
Conhecimento, informação, este fez tudo que podia
O que vale mais, a moeda ou a mudança no olhar?
Qual homem eu sou e qual deles é você?"

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Questione-se

As duvidas me tomam quase que todo o tempo do meu dia, passaram-se os dias em que as certeza tentavam ser guias do meu caminho, me levando onde precisava chegar, percebi que as certezas me levavam apenas onde eu queria ir, mas as duvidas tem algo mais belo, mais real e humano, não são as certezas que constroem caminhos sólidos, mas as duvidas e questionamentos que se criam em nós todos os dias.

As certezas que eu alimentava e carregava não foram em vão, serviram para ser base nos meus questionamentos, afinal não há pergunta sem uma certeza anterior, mas as certezas são vazias, não me dão condições de pensar e criar minhas próprias certezas, meus pensamentos, eu preciso disso, preciso me sentir um ser pensante, preciso saber que existo pelas minhas conclusões e não por conclusões que foram passadas a mim, coisas que aprendi sem nem mesmo saber o que são.

Penso que cada questionamento que me permito fazer é como um impulso nervoso que faz minhas pernas se mexerem e gerarem passos no caminho que se põe à minha frente, não posso ficar parado a beira do caminho, não há em mim imparcialidade suficiente para ser apenas um observador, quero e preciso fazer mais que isto, fazer meus próprios passos no mundo, ao invez de seguir os passos dados por outros, me parece fundamental.

Não quero apenas questionar as coisas a minha volta, entender o porque de pessoas não terem o mesmo gosto que o meu, ou saber por que coisas que não gosto fazem tanto sucesso, mas acho que a principal função das minhas questões é conhecer e saber quem eu sou, encontrar em mim aquilo que vejo ou não vejo fora de mim. Penso que perguntas apenas para obter respostas são como socos no vazio, as respostas que chegam ou não devem me levar para o próximo passo, me levar a enxergar o que sou e o que posso ser.