terça-feira, 19 de junho de 2012

Há vagas


No silêncio de noites comuns, na solidão de noites desregradas e desenfreadas, a bailarina aquieta seu coração no fim de toda agitação, para saber, onde andará aquela certeza de um amor inesgotável, que sempre havera carregado em seu peito? Onde está o príncipe que vem à galope ao primeiro sinal de tormento? A bailarina senta-se no meio fio, ainda sem resposta.

Recordando os tempos de outrora, quando o sino chamava para degustar aquele feijão cujo cheirinho tomava todo o quintal da casa da vó. Os dias de brincadeiras de criança, sentada à mesa, com colegas da escola, que só pensavam no que queriam ser quando crescer, mas a verdadeira preocupação era se eles seriam grandes. Os desenhos, sempre tão animados, exibidos na TV, de cores fortes, vivas, faziam pensar que a vida seria sempre assim, tão colorida.

A vida vai e vem nos dias, a bailarina cresce, aprende movimentos, aprende que na vida é necessário ensaiar leveza, produzir naturalidade e esboçar lindos sorrisos, quando ainda se quer chorar. Os movimentos, que ela precisa fazer de forma singela, surgem de fortes marretadas contra pedras quase inquebráveis. O simples desenrolar de braços e mãos é um movimento de tamanha força, que a bailarina pouco se contém.

Ela cresce mais, adulta, a bailarina tem sobre a ponta dos pés o peso do mundo, seus braços são sutis e fortes como rios que transpassam as mais impensáveis barreiras. Mas a felicidade... será que ela lembra como se soletra?  F-E-L-I-C-I-D-A-D-E, é assim mesmo? Mais do que saber escrever, como é mesmo que se tem, que se vive?

A bailarina se esquece, com o tempo, como é ser criança, sem peso, sem força, sem grandes preocupações ou embaraços. A sapatilha pequena, leve, se tornou um sapato pesado e duro. A dor de um solo entristece a bailarina que sentada no meio fio, se recorda de uma ideia de príncipe, ou encantado, encanto, algo assim. É difícil lembrar, lembranças trazem tantas vontades que nem se podem viver.

Som de passos no fim da rua, os passos parecem estranhos, passam uns por cima dos outros, alguém mal se sustenta em pé. Um bêbado talvez. O homem passa, o solo continua. A maquiagem borrada, o cabelo desarrumado, a roupa bagunçada e as gotas de chuva que tocam a face para levar e lavar o que há de ruim. A água escorre pelo boeiro, o coração, as ideias e incertezas ficam. A dama espera um príncipe, o tempo foge da dama, a noite luta para não terminar, tentando ajudar. O dia vem, hora de ir, a cama a espera, o travesseiro lhe guarda verdades amargas que virão em sonhos.

A bailarina levanta, de cabeça baixa segue pela rua, o rosto que esboçava sorrisos, naturalidade nos movimentos mais improváveis, nada diz. No peito, escondido entre vestes, pele, e nervos, uma placa, quase invisível, que diz, "Há vagas".

domingo, 18 de março de 2012

Livros de espelhos sempre se quebram

Ontem, enquanto visitava uma exposição de artes plásticas, na qual a artista Gabriela Irigoyen retrata o seu amor pelos livros, me despertou a atenção uma obra intitulada "Livro de Espelhos". Tentei refletir e chegar a alguma conclusão sobre o que esta obra causara em mim.

Ler um livro de espelhos é mais profundo e possivelmente medonho do que possamos imaginar. É como descobrir com precisão aquilo que seus olhos querem, ou permitem que você saiba sobre você mesmo. É encontrar-se consigo em meio a páginas que só tem definição a partir do seu humor, da sua vontade, ou daquilo que o seu coração, sua mente, tem a expressar em determinado momento.

Penso então no quanto ainda temos medo de nós, medo dos limites, dos devaneios, dos desejos insaciados, ou os mais incontrolados. Temos medo do medo que podemos ter, do que ele pode causar em nós. Entender um ser humano não é fácil, entender um ser humanos cujo qual chamamos de "Eu", penso que seja mais difícil ainda.

Anos de convivência, uma vida ao seu lado, e se eu lhe perguntar simplesmente "Quem é você?", a pergunta soará como retórica. Qualquer resposta que tente me dar, não irá responder. Pode dizer seu nome, profissão, idade, onde vive, o que gosta, o que não gosta. Mas a verdade é que não sabemos quem somos, ou mesmo o que somos. Em constante releitura e sempre nos reinventando, reconstruindo a nós mesmos e a nossas relações, assim é a nossa vida. Justamente por isso, esta leitura de um livro de espelhos pode ser mais complexa, torturante e  sem fim que qualquer Camões, Andrade, Shakespeare, ou qualquer outro.

Acho assustador como podemos ter concepções tão bem formas e estruturadas sobre qualquer pessoa sobre a qual nos seja perguntado, mas não sabemos falar quase nada sobre nós mesmo, que somos o único eterno companheiro de nós. Perceba que ler uma pagina por dia, deste livro infindável é como conhecer um novo ego por dia. Podemos ver a cada dia um novo sorriso, novas lagrimas, rugas, expressões, olheiras... e em cada umas destas marcas uma nova possibilidade, um novo sentimento, uma nova sensação.

Sem falar que um livro destes nos permite apreciar e "indecifrar" o externo, mas o que há dentro de nós, o que a alma nos reserva, onde poderemos ler, como podemos entender? Como podemos amar e deixar ir, odiar e querer por perto, pegar para soltar, ou soltar para depois correr atrás? Sei que falando assim, talvez você imagine que nunca fez coisas deste tipo, mas tente recuperar os registros dos seus próprios livros e verás que o que digo, já aconteceu com você em algum momento. Somos tão invariavelmente indecisos e incompreendidos por nós mesmos que nem lembramos das coisas vãs que nos permitimos passar, ou mesmo as que nos arrependemos diariamente por ter feito, sem perceber que as fizemos.

Nossas escolhas, nossas decisões, interações e ações, tudo é construção do que somos, mas demoramos para perceber isso. Quem precisa de verdade de um livro de espelhos? Quem precisa olhar todos os dias para um objeto de estudo que lhe apresenta alguém que está todos os dias com você? Na verdade, não precisamos de leituras externas, não precisamos de opiniões externas, precisamos olhar para nós mesmos, fechar os olhos por alguns instantes, pensar no que esta dentro de nós. Nos orgulhar do que fazemos, ou fazer o possível para mudar.

Um livro, seja ele de espelhos, ou de papel, de imagens ou letras, não dirá mais sobre você do que aquilo que já está contido em você. Existem leituras que irão nos amadurecer, transformar e renovar interiores, mas nenhuma irá dizer quem é você. Esta questão está respondida dentro de nós e não é um espelho ou uma pagina que um dia irá se decompor que irá responder. Quem sou? Quem é você? Quem é este que está ao seu lado? Não é esta a pergunta certa, tente perguntar, quem sabe, como estou? Como posso ser diferente hoje? Como posso transformar e ajudar este ao meu lado a se encontrar hoje? Como poderei me encontrar hoje?

Se descubra, se conheça, se liberte. Quebre os seus espelhos, se desfaça de rótulos, de conceitos, corra, voe, viva!

domingo, 4 de março de 2012

Passos reservados para amanhã


Em um daqueles dias em que parece que um homem não deveria ser forçado a sair de sua casa, Douglas caminha pela noite. A passarela negra, guia de forma desordenada seus pés. Calçando o seu sapato mais apertado, trajando seu terno mais pesado, fadigado pelo fardo mais antigo a carregar. Parecendo ser consumido pela bebida ou por drogas que talvez jamais tenha ouvido falar. Mas esta apenas cansado, sucumbindo as dores da rotina, da mesmice, dos pesos que a vida lhe impõe.

Não bastassem as próprias desordens, os medos, os descontextos, a noite ainda lhe reservara olhares de condenação, gestos de omissão e talvez novas marcas. A mãe, cobre os olhos de sua criança ao ver aquele homem aparentemente embriagado. O jovem, se coloca a frente de sua namorada, num ato de tentar protege-la daquele que parece marginal (com o sentido mais criminalizado da palavra). O homem que apenas caminha sozinho, cerra os punhos, pensando no caso de precisar se defender daquele indigente, grupos de desordeiros zombam o maltrapilho.

A cada passo, as luzes chegam a parecer se apagar a sua frente, o asfalto gasto parece esconder buracos ou armadilhas que se revelam apenas quando são pisadas. Cordas parecem puxar o pobre homem para um encontro violento contra o meio-fio, sua sorte talvez seja ser puxado por ambos os lados, se mantendo, desta forma, ainda de pé.

Ao por as mãos sobre a porta, apenas tenta encontrar a chave, por hora escondida no seu bolso. As roupas parecem feitas de aço ou pedras, o sapato parece diminuir a cada passo e mesmo uma fina corrente de prata, carregando uma pequena placa com seu nome, parece uma apertada coleira. Os dedos encontram no fundo do bolso esquerdo a chave, mas esta parece nem querer se encontrar com a fechadura.

Enfim, dentro de casa. O homem não pensa antes de se desfazer das roupas, do sapado, da corrente. Um gesto desesperado para se libertar do peso, como se este peso fosse apenas físico, mas o desgaste vai além, a fadiga mental, as dores espirituais, tudo parece pesar a favor da gravidade.

Um bom banho quente para aliviar a tensão, mas cada gota parece navalha tocando a pele. Pega a toalha, ao se secar, parece ter a pele esfregada por palhas de aço. O que resta, ou o fardo que lhe cabe agora é deitar-se, encontrar-se com os pesadelos, aqueles trazidos desde a infância e os adquiridos ao longo da vida.

Todas as razões para não querer dormir, ou se dormir, não querer mais acordar. Mas este é um homem, não um moleque, ou um projeto. Aquele que se desgasta, o permite pois sabe a recompensa que lhe espera, ou se não sabe, a fé, a esperança o mantém na linha. Mesmo quando o fardo parece maior do que se possa carregar, quando o peso da própria vida parece ir além da força dos braços, nada é sem saída. Um homem coloca a cabeça sobre o travesseiro pensando que amanhã, além de um novo dia, é uma oportunidade de ser e fazer diferente, não um outro dia para sair e voltar seguindo os mesmo caminhos, dando os mesmo passos. O poder do novo está em suas mãos, não no ar. Homens lutam, projetos se rendem.

"Não adianta procurar um novo caminho, se você não muda a forma de caminhar."

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Bagunçado, mas escrito


Depois de tanto tempo, poderia começar este post falando sobre o que aconteceu, meus planos e vontades para as próximas postagens, mas acho que é perda de tempo. Acho que minha vida e meus conflitos apresentados de forma dramática não são de interesse de ninguém. Então prefiro tentar poetizar com aqueles que ainda arriscam ler um pouco das minhas linhas e entrelinhas.


"Escrever é um exercício diário", já diria Carlos Drummond Andrade. Por isso, pela falta de prática, talvez as próximas palavras não saiam com o real carinho que as mesmas mereçam, mesmo assim não me furto o prazer de empunhar a pena outra vez. Preparar a tela e misturar a massa para construir. Fazendo mesmo este misto de expressões artísticas, reinventando figurinos, pintando o rosto para que este texto tenha a imagem que você jamais possa ter imaginado, ou que ao imaginar se deparou com algo indefinido dentro de si.

Pois hoje vejo que é assim que somos, indefinidos. Quando próximos a respostas claras e maduras, percebemos as questões ainda cruas e sem sabor. Sei que a confusão de cores, sabores, odores e tudo mais pode parecer complexo, mas sei que se você se dispõe a ler aquilo que está registrado aqui é por que há aí um desejo de saber, de também ter ideias. Não que eu as tenha, mas estamos no mesmo caminho meu caro. Precisando as vezes de um freio ou de um black out, mas sem parar, apenas fazendo breves pausas, trocando as penas, arrancando as garras, quebrando o bico para que possa nascer tudo novo, mais vivo, mais forte, e agora mais maduro pelas respostas já adquiridas e que agora se tornam novas duvidas.

Por isso, me sentindo renovado pelas experiências e reflexões vividas. Volto a escrever, não pelo desejo de ser lido, mas pelo prazer de falar, de escrever, de pintar e tecer fios novos, formar texturas e formas ainda não imaginadas.

Por isso aqui estão estas poucas palavras iniciais. Bagunçadas, esquisitas, sem sentido, ainda de forma indefinida, mas acho que hoje eu apenas coloquei as mãos no monte de argila, começando a dar forma, mas ainda sem saber o resultado final, tendo apenas um esboço cru na mente. Quem sabe até o fim da trajetória eu consiga esculpir a minha obra prima?

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Não se forçam diferenças

Imperfeitos e perfeitos convivem lado-a-lado todos os dias, como parceiros, mas com o abismo medonho entre eles. O imperfeitos, a principio, geram repulsa, receios, duvidas se devem ser aceitos. Ao ver algo muito estranho nos perguntamos "o que é isso?", mesmo que seja algo dentro dos nossos hábitos, apenas um pouco diferente. Já o perfeito, é outra história,as coisas assim tendem a trazer um certo conforto, ouso até dizer que traz certa paz. As perfeições dispensam questionamentos e criticas, coisas perfeitas nem mesmo precisam de elogios, adjetivos, esses são meros adornos falhos a algo divino. É como dizer que Deus precisa do homem, sendo o inverso a realidade. Apesar de expor minha pobre visão de perfeição, o foco hoje é o imperfeito. Me pergunto por que o imperfeito chama tanta atenção? Se nossa sociedade prega tanto a aceitação da adversidade, o que nos leva a ficar tão abismados com aqui que esta fora do lugar? A verdade que os pré-conceitos estão tão entranhados em nós que é difícil não nos ater a algo "errado". Se olhar uma parede lisa, perfeita, pintada e sem deformações, no maximo vamos dizer que está bem feita, foi um bom trabalho feito na parede. Mas se essa mesma parede tem apenas um pequeno arranhão, um prego, ou mesmo uma pequena ondulação, isso já é o bastante para talvez darmos as mesmas felicitações pelo trabalho na parede, contudo o olhar vai estar voltado para a imperfeição, todo o universo perfeito na parede se perde, apenas pela pequena deformidade. Hoje é vigente no nosso meio social uma série de políticas e praticas de "inclusão", contudo são ações muito relativas, pois querem quebrar divisões que se perpetuam por gerações, ou menos séculos, em dias. Claro que o preconceito não deve gerar discriminação, violências e tudo mais, mas será que algumas diferenças não devem ser respeitadas, ao invés de simplesmente jogar toda a sociedade num mesmo saco? Não foi isso que aconteceu com a África mediante o Imperialismo, um monte de tribos rivais, colocadas em um mesmo espaço geográfico? Colocar tantas diferenças dentro de um mesmo contexto não gera atrito? Não estou dizendo com isso que barreiras devam ser mantidas, brancos de um lado e negro de outro, jamais. Acredito no poder da inclusão, na função da culturalização, mas mesmo nos países mais cultos certos preconceitos ainda geram uma série de discriminações, o que dizer do Brasil, que é um poço, ou uma panela de adversidades, onde querem misturar tudo sem se dar conta das diferenças da cultura do sul ao norte? Mais ainda, é preciso perceber que certos grupos no nosso país ainda não se abrem as diferenças, ainda não tem consciência da necessidade de se manter a própria cultura, mas sem se fechar para a cultura alheia. Aí caímos no exemplo que dei ao iniciar este texto, uma pessoa de sunga e chinelo em meio a varias pessoas de terno e gravata vai no mínimo gerar um grande choque. Por isso certas mudanças devem ser realizadas gradativamente. Eu não posso forçar a minha verdade ou a minha realidade a todo o meio. Por muito tempo a história foi banhada em sangue por pessoas que queria justamente forçar seu ponto de vista, massacrando o que parecia imperfeito, hoje o papel se inverte, as minorias querem se expor ao meio e forçar a aceitação, vezes com atos violentos, mesmo que não sejam atos violentos fisicamente, mas moral ou psicologicamente. Acredito que as diferenças devem ser introduzidas no meio aos pouco, sem necessidade de choque, de confrontos diretos. Discussão sempre irá existir, mas podemos conduzir os desentendimentos de forma calma e não violenta, trabalhando para que as diferenças, as imperfeições ou mesmo os erros se tornem padrão. A história também nos mostra que mudanças sociais, legislativas e históricas também acontecem por meios pacíficos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Conexão X Desconexão

Sociedade e velhos tabus são coisas que caminham em paralelo. O tempo pode até diminuir ou sensibilizar certas barreiras, mas é algo bastante lento e complexo. O meio social ainda tem medo ou no mínimo receios em relação aquilo que parece diferente, ou coisas que a primeira vista possa parecer oposto ou muito distante. Refletindo no meu pequeno intelecto me detive a pensar sobre os casais diferenciados e que normalmente despertam os olhares atentos e por vezes preconceituosos da sociedade.

Hoje em dias as pessoas começam a superar em si certas barreiras pessoais e se relacionar com pessoas, digamos, diferentes. Formam-se assim casais com diferenças raciais, religiosas, sociais, de idade, entre outras. Vejo isso como algo bom, algo bonito até, é mesmo preciso superar as fronteiras e barreiras sociais para que se viva uma real felicidade, contudo é fato que o preconceito de modo geral é algo ainda bastante vivo na nossa sociedade, apesar de enfraquecido ou mascarado com o tempo.

Vejo com determinada rotina rostos que se entortam ou olhares que ficam fixos em casais onde uma pessoa é branca e a outra negra, ou um asiático e um indígena, ou casal com diferença significativa de idade, com religiões distintas, ou ainda com realidades socias diferentes. Sei que o convívio com o diferente é algo complexo e que pode agredir de alguma forma a zona de conforto de cada pessoa, mas é preciso lembrar sempre da necessidade de respeito para o bom convívio social. Deve-se conter ainda mais o ímpeto violento contra qualquer diferença, violência esta que se demonstra por meio de olhares, agressões físicas e verbais ou mesmo a busca obsessiva por distancia daquilo que parece diferente ou extraordinario.

Vendo por outro lado admiro muito a coragem e a vontade que existe nessas pessoas que assumem relações com gente tão diferente de si. Aí é que vejo a conexão fora do comum que pode haver entre duas pessoas e ao mesmo tempo a capacidade de desconectar de antigos tabus sem sentido que são ainda mantidos na sociedade. Essa força e capacidade de desapego a normas tão irracionais é algo muito belo, visto que é justamente o abandono de coisas antigas que nos levam ao novo que pode trazer a nós a experiência de felicidades e alegrias que o antigo talvez jamais pudesse nos trazer.

Vejo que de modo geral devemos buscar a completa e complexa felicidade, independentemente da forma com que se faça, levando em consideração apenas que a minha liberdade para ser feliz não pode em momento algum impedir a felicidade de alguma pessoas que está próxima a mim. Visto isto viva a sua liberdade, seja feliz, encontre as pessoas que podem te fazer bem, por mais diferentes de você que as pessoas possam ser, você tem apenas uma vida, não a desperdice cuidando da vida de outras pessoas, apenas viva a sua felicidade.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A Pedra: Nasce Bruh, a vingativa

A Pedra: Nasce Bruh, a vingativa: "O silêncio da noite esconde medos e desejos de vingança que nem mesmo os mais antigos e mais sábios podem imaginar ou descrever. Assim, no ..."

Noites vazias que nos preenchem.

Sabe algumas daquelas noites em que os ponteiros do relógio vão girando como uma guilhotina ou um machado que vem flutuando no ar em direção ao seu pescoço? Talvez você não saiba mesmo sobre o que estou falando, ou talvez saiba exatamente, ou ainda pode ter passado por isso inúmeras vezes, mas não tenha visto da mesma forma que eu. Pois então, esta noite foi uma dessas noites. Não que eu deva partilhar com os nobres leitores deste espaço limitado na web onde posso me expor de alguma forma, mas pensei em relatar um pouco do que possam ser esses momentos sombrios, barulhentos, inanimados e divertidos.

Sei que você pode estar pensando que é um paradoxo sem importância ou significado este monte de adjetivos no mesmo contexto, mas não pense exatamente em tudo de uma única vez, veja tudo em separado, ou mesmo tudo junto, cada noite traz algo especifico e magnificamente brilhante para nós. Mas isso vai depender da forma como você analisa os momentos que vive, se for pessimista uma dessas noites pode te fazer parar em um manicômio, mas como ainda estou em clima de carnaval e envolvido por um espírito de diversão e bons frutos com astral bastante positivo, penso nas noites em claro nas quais conseguimos passar pensando em pessoas agradáveis e de ótima companhia.

Penso naquelas noites em que ficamos lembrando e repensando ótimos momentos vividos e apreciados por nós. Coisas que passam e que não percebemos, ou que só depois de um tempo conseguimos dar conta da profundidade do que foi vivido, algo muito presente nesse tempo pós carnaval. Passamos cinco dias pensando que na quarta-feira tudo virará cinzas, mas não pensamos que tudo continua em nós e em nossas mentes. Nada precisa ficar apenas na nossa memória ou nas lentes de câmeras fotográficas e diários de viagens.

Essa noite passou lenta e calma, podia ter sido apenas uma noite torturante e infeliz de insônia, mas acho que justamente pelas boas lembranças de um carnaval cheios de atividades não foi. Pude repensar em coisas que passaram e que ainda podem passar, talvez ainda em virtude dos bons acontecimentos destes dias subversivos. Apesar da hora que se extingue no cair e no passar da noite, ainda que pensando no dia que se pode passar lutando contra o sono por conta de uma noite em claro, pare pra pensar que tudo ainda pode valer a pena, as coisas nem sempre terminam quando chegam ao fim, mas o fim pode ser apenas algo para te instigar a dar um passo a mais.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ida ao parque

Passado mais de um mês sem escrever para o blog, por falta de tempo, disposição e criatividade, hoje resolvi voltar e a melhor forma de faze-lo, seguindo o próprio nome do blog, acho que é com um pequeno surto, alguns daqueles pensamentos divertidos que surgem em meio a noite coisas e quentes no verão do Rio de Janeiro.

Tudo na vida tem aquele lado bom, o lado ruim e quem sabe, variavelmente, o lado ainda pior. Ontem tive uma breve ida ao parque de "diversões", não gosto muito desse tipo de programa, mas os amigos acabam nos animando para certas saídas um tanto quanto... inesperadas. Mesmo tendo ido ontem ao parque, apenas hoje refleti sobre o que pode ser um passeio desta natureza. Um encontro entre amigos, aquele passeio agradável e romântico entre um casal, ou entre casais ou trios (cada um se diverte como gosta).

Dentre tantas distrações que existem em um parque vi por coveniencia destacar a Roda Gigante, aquele passeio agradável onde você se sente literalmente nas alturas, segurando firme a mão da sua companhia, ou apenas admirando as belezas da cidade (dependendo da cidade). Giros românticos e aproximadores, com uma bela paisagem a observar e tudo que possa tornar os giros e altos e baixos o mais agradável e divertido possível. Pipoca, algodão doce, bolinhas de papel pra atirar em quem está embaixo, coisas assim. É, mas este é apenas o lado bom da coisa.

Como disse, as coisas podem ter dois ou mais lados na vida, daí tiramos que pode acontecer de você ou sua companhia, até mesmo um estranho que resolve sentar-se ao seu lado por pura cara de pau mesmo, alguém na roda, independente de quem, ter medo de altura e achar que poderia curar o medo desta forma, a pessoa simplesmente dá um surto lá encima, começa a passar mal. Ou ainda, essa pessoa pode ter hipertensão, ou outros problemas cardíacos graves que podem leva-lo a uma morte súbita a qualquer momento, nunca se sabe o que o futuro nos reserva. Se não bastar isso a pessoa pode ter uma combinação de medo de altura, hipertensão e outros problemas cardíacos, a adrenalina por estar nas alturas segurando a mão da pessoa amada em um objeto circular de tamanho bastante grande leva essa pessoa a uma situação extrema e imediatamente ao óbito.

Ainda se levarmos para o lado pior, essa pessoa especial pode ter todos estes problemas e quando começa a passar mal começa a ter convulsões, as tremedeiras fazem com que a estrutura frágil do brinquedo se solte, aquela roda gigante começa a sair em um movimento descontrolado, atropelando pessoas, destruindo carros, atrapalhando o transito e tudo mais, a pessoa nesse momento provavelmente já não tem o coração batendo, mas a roda continua, os altos e baixos da roda passam a ter um espaço de tempo cada vez mais curto, até que ela desaba sobre uma multidão que está indo ao parque apenas para se divertir em uma noite de sábado com seus amigos, familiares, ou parceiros afetivos.

Bem, não quero ser dramático, muito menos instalar o pânico ou coisa parecida, mas apenas chamo a atenção para o fato de que devemos estar sempre atentos e forte, prontos para qualquer situação e acima de tudo, com os exames médicos em dia.

Campanha contra ataques cardíacos ou de nervos em parques de diversão ou temáticos.


Pequena homenagem à Luana Cardoso, parceira de pensamentos pouco explicaveis.
Valeu "nein"

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Novo ano, nova identidade


Com o inicio de um novo ano, antigos conceitos, duvidas, questionamentos e discussões voltam à tona na nossa sociedade e em nós mesmo. Não obstante, advêm ainda novas esperanças, desejos, sonhos e decisões. Contudo, tento ater-me a uma questão que vinha sendo levantada ao longo dos últimos anos, que acredito ainda que deva ser dialogada ao longo dos anos que se seguem, por conta da importância de uma consciência popular e do reconhecimento, acima de tudo, interno no Brasil, entre a própria população e ampliando este reconhecimento para as pessoas de outras nacionalidades.

Nós, como brasileiros que somos, devemos levantar em nós o reconhecimento, ou ainda a identificação do desejo ou mesmo do razoável conceito de brasilidade, conceito este que vem sendo amplamente debatido. Num país tão misto e até místico como o nosso é difícil se prender a uma definição, visto que definições tendem a limitar identidades, impondo assim a falta de liberdade sobre o ser. Contudo, julgo necessário a cada um de nós nos reconhecermos como este ser brasileiro, independente de raça, opção sexual, religiosa, posição social, endereço e etc.

Vejo como grande dificuldade da aceitação do nacional no Brasil a questão relativa ao respeito, de forma mais ampla, as questões regidas pela educação, esta que no Brasil é pobre, fraca, não apenas pelas nossas escolas ampla e repetidamente abandonadas por governos e sucateadas até pela própria população, o que nos leva a grande questão: a educação que parte do lar, educação que se inicia na família. Vejo este como o grande problema, uma grande massa que já não se reconhece como brasileiro, ou mesmo que não sabe exatamente como formar um conceito próprio de identidade e de nacionalidade. Essa dificuldade é ainda alimentada por uma grande dificuldade das pessoas se reconhecerem até mesmo como humanas. Numa sociedade que se vê tão preocupada com igualdade social, causa no mínimo um certo desconforto, para não falar na incompreensão, ver na TV, por exemplo, um cão melhor tratado que a própria pessoa.

Visto um longo trajeto de abandono da população de si mesmo, por conta de governos despreocupados ou de pessoas movidas por valores e desejos meramente capitalistas, chegamos ao lugar, ou o momento em que estamos. Não é, contudo, hora de cruzar os braços como se nada tivesse solução, mas sim de se mover, buscar o próprio conhecimento e passar adiante. Em uma pequena viagem para estados, ou mesmo cidades vizinhas, ou ainda dentro da nossa própria cidade, com pessoas que moram do nosso lado, ou que convivem conosco, percebemos o descaso com a própria cidade. É triste e pode soar até preconceituoso falar isso, mas as vezes vejo porcos, ao invés de pessoas, isto porque vejo pessoas que praticamente defecam no lugar onde vivem. Não falo isto de forma literal, embora possa acontecer, mas pessoas que alimentam a criminalidade compactuam com delitos, crimes, infrações, gente que sujo o ambiente onde vive, ou que destrata os seus iguais.

Vivemos querendo, quanto brasileiros, nos comparar ou buscar nos assemelhar a estrangeiros, é até aceitável, visto que devemos observar, assimilar e utilizar as coisas boas, contudo não é o que acontece. Temos uma rica cultura, uma multiplicidade imensa que é grossamente esquecida. Já a parte boa, a educação, o comportamento com os outros, a forma como se respeita o outro, o espaço o ambiente, tudo que há de melhor nas sociedades mais "avançadas" nós não buscamos aplicar a nossa sociedade.

É um tema muito amplo e que pode e deve ser debatido por muito mais tempo e em varias camadas da sociedade, mas o que quero mesmo é chamar a atenção dos leitores desde pequeno blog, para que possam dentro de suas limitações, dentro do meio em que vivem, em gestos também pequenos expor um pouco da sua consciência nacional, quer no ato de por o lixo no lugar certo, cuidando de si, mantendo uma boa relação com seus semelhantes, entre outras coisas. Que possamos vestir a nossa própria brasilidade, dentro da nossa formação, educação e desenvolvimento psicológico e social, para fortalecer a nossa personalidade e a nossa sociedade com a nossa própria expressão cultural e ideológica.