A morte eh mesmo um assunto tabu na nossa sociedade, eh um tema complexo, mas paradoxalmente simples. A morte eh algo que faz parte do nosso cotidiano desde a infância. São horas de partida frequentes ao longo da vida. Em oposição a morte esta o nascimento, pessoas que chegam e realimentam a nossa esperança, o desejo de viver. Chego a pensar que em cada pessoa que vejo morrer, morre também um pouco de mim, mas em cada pessoa que vejo chegar a vida eh como a reposição de um pedaço que faltava.A morte esta sempre presente causando de alguma forma a ausência de pessoas que amamos, ou mesmo pessoas que nem conhecemos. Um avo com quem falamos poucas vezes, um irmão que temos que ver partir, um amigo que vai embora e perde o contato, ou mesmo alguém com quem não queremos mais falar. A morte não eh apenas o fim da vitalidade, mas o fim do relacionamento, o fim de abtos ou atividades que outrora eram comuns e ate indispensáveis.
Contudo a morte não eh solitária, mas gosto de pensar que a morte eh apenas uma possibilidade de trova e de renovação, mesmo que por muitas vezes a morte venha em momentos inesperados levando coisas ou pessoas a quem dedicamos carinho e que gostamos muito, ela acaba por dar espaço para novas experiências e novas pessoas. Eh como um ciclo que não pode parar, pessoas que vem e vão, vidas que se iniciam e se encerram. Assim como as pessoas que vi morrer, quer pelo fim dos batimentos, quer pelo ultimo adeus, sempre deixaram saudade, mas a própria vida acalenta seus filhos com novas possibilidades.
Quem eh que não se sente renovado pelo choro de uma criança recem-nascida? Quem ano vê um novo sopro de vida em uma nova amizade que se inicia? Por isso, por mais dolorosa que possa ser a perda de alguém eh preciso abrir o coração e a mente para perceber que cada partida eh apenas meio para uma nova chegada, um fim eh apenas um novo inicio. A gente tem o costume de nos prender a coisas presentes, sem pensar que o melhor da vida pode ainda estar por vir.
"Me assombra tua face negra enfeitada de noite
Me assusta a forma sucateira com que te aproximas
Me entorpece a sua impetuosa ação
Me desnorteia a fúria irreal com que carrega-nos
A beleza escondida pelo teu manto negro e a foice impiedosa
Reflete-se nas flores esquecidas, deixadas ao chão
Espelha-se na face enrugado daquele que nasce
Cada chegada já marcada pela partida
Não se escolhe o momento, nem de chegar nem de partir
Escolhe-se apenas a trajetoria
Marcada por uma despedida inicial e um ola final
Adeus inicio, adeus nascimento, adeus novo
Ola fim, ola sol poente, ola morte doente insaciável."
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