quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Datas festivas

Não quero parecer ou ser cético, menos ainda ser aquele que quer apenas apontar defeitos e criticar o sistema capitalista, mas tem certas coisas para as quais devemos retornar a atenção nessas datas festivas, retornar a textos e assuntos polêmicos, antigos e até mesmo um pouco batidos, mas sobre os quais as pessoas não se conscientizam.

O Natal está aí como apenas um destes exemplos, temos ainda páscoa, feriados religiosos e até mesmo os nossos aniversários. Fugindo até mesmo dos valores mais profundos do cristianismo, o nascimento de Cristo, a sua paixão e ressurreição e a memória dos santos e santas reconhecidos pela Igreja Católica, mas nos voltando para aqueles valores mais visados pela sociedade nos dias atuais. A compaixão, a humildade, o perdão, a amizade, a fraternidade, o espírito de confraternização, que são em todos os natais, páscoas e outras datas, tão comentados e chamados a emergir na sociedade, nos dias de hoje são tão facilmente substituído por um espírito consumista e egoísta.

Percebo isto analisando desde pessoas bem próximas até pessoas desconhecidas no shopping. Não sou um antropólogo ou algo parecido, mas existem coisas que são tão naturalmente expressas no rosto das pessoas que se tornam impossíveis de não serem reparadas. Vejo pessoas que dizem claramente que só darão presentes a outras se as mesmas também lhes presentearem. Pessoas que querem comprar roupas cada vez mais ostentadas para exibir um suposto status ou apenas alimentar a avareza, gente que faz tudo para usar esta data, mesmo sem perceber, para aparecer e se sentir mais que os outros.

Lógico que não acho que as pessoas estejam proibidas de dar presentes as outras, até por que isso representa, normalmente, o apreço que temos por alguém, mas se é para presentear e viver estas festividades, sobretudo as de passagem de ano, que o façamos com sinceridade e hombridade. Que se faça um breve exame de consciência para perceber onde estamos realmente sendo pessoas e humanos que buscam viver suas virtudes e quando estamos apenas querendo nos exibir e chamar a atenção com ostentações que não temos ao longo de todo o ano.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A primeira despedia real


Este é o ultimo texto em sequência que escrevo sobre este assunto, sobre a historia que tem tido sequência aqui no blog, em breve talvez eu retome esta narrativa, mas vamos ao que realmente interessa hoje.

Bem, a vida podia ser feita de flores e bombons, mas infelizmente não é assim que as coisas seguem. Apesar da felicidade e da realização de momentos verdadeiramente inesqueciveis já vividos pelo cavaleiro de olhos negros e a menina de olhos de pidona, coisas ainda estariam por vir, tormentas e tribulações que somente corações realmente unidos, entrelaçados e dispostos poderiam superar, ainda não era possível nem ao menos imaginar as coisas que o próprio destino poderia armar sobre este casal.

Pessoas que vão contra o relacionamento que pode ou não estar começando, ela com seus pais aflitos e preocupados, sem entender o melhor para vida da filha, tentando controla-la e impedi-la de tomar suas decisões e fazer suas escolhas. Antigos amores que querem vir a tona, amigos que querem influir na vida de ambos, como se ninguém soubesse decidir sobre si neste mundo. Mas acredito que o maior e mais difícil mal seria mesmo a distancia, a necessidade imposta pela realidade de ambas as vidas de permanecerem separados por um tempo que independente da duração seria grande demais para estes corações.

A despedida ainda mais longa que o normal imposta a este casal transformaria tudo em algo diferente, impossível saber se tais mudanças propiciariam algo melhor ou pior, o bem ou o mal, mas certo seria que nada seria igual, mesmo porque a distancia não era a única coisa a influenciar nestas vidas tão próximas, mas agora tão distantes e talvez desconexas de si mesmo, perdendo o sentido real da existência de cada um de nós, a felicidade ou no mínimo a procura desta.

Chegado o dia da partida, não obstante ao que já era costume, ele tentara fazer algo diferente pra ela, algo que o tornasse sempre mais inesquecivel na mente daquela que ele queria apaixonar. Mas perdido na profundidade da verdade expressa no olhar pedinte de carinho, aqueles olhos negros não sabiam como agir senão acolhendo aquele corpo frágil e sedento em si, os longos e paradoxalmente curtos momentos juntos os tornavam sempre mais ligados e mais íntimos, a liberdade se tornando cada vez mais profunda e pura os fazia sentir-se cada minuto mais feliz, como nunca experimentaram antes. A noite tão reveladora para eles se esvaia entre suas mãos quase unificadas, com desejo de eternidade, mas a impotência de mortais que não podem decidir plenamente sobre suas próprias vidas.

A hora da partida, cada vez mais sentida, já presente nos corações, hora apaixonados, hora questionados, gritava a sua necessidade de acontecer, mesmo contra a vontade poderosa daqueles olhares tão íntimos, os toques desbravadores e as falas de ultimo fôlego. A despedida, até então a mais dolorosa acontecia entre pensamentos e estimas de reencontro, duvidas de algo ainda maior ou realmente um fim de algo curto, mas eterno nas lembranças, esta, a única que jamais acabaria na mete dos dois, do cavaleira de olhos negros que montava em seu cavalo para um jornada, em terras distantes e da menina de olhar de pidona, que permanecia em sua terra mãe, esperando o retorno daquele que nada prometeu a ela, mas que falava com o olhar que queria te-la outra vez.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Segundo Ato

Tenho o olhar como uma espécie de porta, como a entrada para algo mais profundo.

Talvez ele, o homem do romance duvidoso que lhes relato, também pensasse assim, pois não se pode deixar aquietar com a lembrança daquele olhar e da noite que passara com a dona daqueles olhos intrigantes e sedentos, a coordenadora dos gestos sutis e mansamente sedutores, a possuidora do poder de prender a atenção daquele guerreiro, destemido e ate então inatingível por sentimentos afetivos e tão românticos.

Mas algo naquele rosto lhe intrigava, não apenas o olhar ou gestos, ele a desejava como um afogado deseja o ar. Desmedido pela incerteza do que estava acontecendo, ele não se conteve ou se reteve e partiu em busca dela, uma busca alucinada e desmedida para encontrar aquilo que pudesse sobrepor o vazio que ate então ele nem mesmo sonhara que tivesse. O reencontro, sutil, quase como um acaso, e talvez assim mesmo ele quisesse que parecesse, não podia dar bandeira e revelar sua intenção tão egoísta e tão autruista, paradoxo real e presente no olhar daquele homem maravilhado pela beleza daquele rosto que o acompanhava desde a primeira vez, em sua mente, nos sonhos mais inesperados e nos momentos mais descontraídos.

O segundo encontro se fazia existir, mas a duvida, ou mesmo a preocupação agora era: como tornar este encontro inesquecivel? Como fazer com que ela encontre nele o que ele agora pode usar para se saciar através dela?

Pois quando a magia flui, as coisas simplesmente acontecem. Como que em um toque de magica, um pequeno bonus proporcionado por Deus, a chuva desce, esperada ao longo de todo o dia, quisera pois cair sobre as cabeças desses novos amantes. Não por um acaso, mas para aumentar ainda mais o vinculo já existente entre eles. A gotas no rosto dela ressaltavam a beleza de sua face, brilhando como diamantes que cobrem a mais suave pele. O som das gotas caindo ao chão soavam como instrumentos musicalizando a voz doce e ainda insegura dela que talvez nem soubesse o que queria, mas que estava ali, entregue.

Mesmo sabendo de uma plateia silenciosa ao fundo, que os observava de longe, tentando se fazer perceber, eles viviam ali o cenário perfeito do segundo ato. Não pelos artifícios que a própria natureza, ou que outros homens na sua desordem tivessem colocado ali, mas apenas pela presença dos dois, a chuva, o som, os olhares, os toques. Toques estes que revelavam a alma de ambos, no silencio inóspito criado pelo som da chuva. A magia se tornara ainda mais forte, os laços iniciados pelos movimentos de um outro dia se consolidavam a margem desta cena inimaginável.

O corpo de ambos entre abraços e tremidas anunciavam mais uma vez a hora da despedida, mas a certeza implacável de um novo encontro. A plateia alterada, quase invadia o palco dos atores escolhidos pela vida, mas o espetaculo não para assim, apenas da um tempo, uma troca de figurinos e a edição de um novo texto, alimentado pelo anseio de novas experiências tão inesqueciveis quanto as ate então narradas.

Ainda acredito em um futuro maior, nossos atores não se despediram de forma definitiva ainda. Eu também não poderia deixar que o fizessem. Farei ainda o papel do delator falho de uma experiência que não tem descrição, pois esta alem da compreensão de nossas mentes, acho que mesmo vivendo para saber o que passam esses amantes, mas ainda tentarei passar aquilo que posso observar. Quem sabe daqui a alguns dias um novo ato? O que nos resta eh aguardar.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Apenas o primeiro encontro

Aquele olhar dizia coisas que as palavras tentavam por defesa esconder, mas alguns de nos tem um leitor inconsciente de olhos sedentos. Percebi naquele brilho algo que não havia encontrado em nenhum outro lugar. O desejo de viver, a vontade de ser feliz, mais do que já tivera sido ate então. Tudo parecia tão novo que se tornava imediatamente inexplicável, apenas se podia viver, assim como aqueles sentimentos... quem sabe os mais puros, verdadeiros e prazerosos. Olhos de pidona que só queriam aquilo que toda pessoa deveria dar, mas muitos tem o receio, o medo de fazê-lo.

O corpo, não obstante, mandava mensagens mais sutis, essas sim, quase indecifraveis, pelo menos para um mero admirador da expressão humana fascinado pela luz dos olhares. O toque suave, os convites subliminares que vinha com aquela jogada de cabelo, ou mesmo com o jeito de prende-lo, tudo já a deixava exposta. A exposição que se fazia real naqueles passos de uma noite quente e vazia causaram verdadeira revolução no interior do rio de sentimentos e ilusões que fluía naquele contemplador silencioso.

As próprias palavras, que nunca haviam tido forma clara, começaram a se entrelaçar revelando sintonia ímpar, que eu mesmo nunca vi - se já tiver visto algo assim, relate-me caro leitor - mas estava encantado em ver e presenciar. Tudo era como magico, tamanha magia não podia parar, aquele que a tentasse impedir provavelmente seria arrebatado, tamanha a forca de atracão do olhares e da unificação das palavras. Tudo já estava provavelmente escrito, ou pelo menos encaminhado para o encontro final, ou inicial já que proporcionou muitas coisas mais.

A noite se esvaia, o tempo, feroz exterminador de bons momentos que deviam ser eternos, já urgia como o monstro dos desencantos, mas não seria este semi-deus vitorioso desta vez, pois a sintonia entre aquelas duas almas já os fizera titãs com disposição para vencer quase, senão todos os desafios. A despedida, inevitável recuada, aconteceu de forma a unir ainda mais os dois desbravadores de si. O olhar, foi apenas a porta de entrada para um universo particular e aparentemente sem fim, aqueles dois desbravadores ainda voltaram a caminhar por tais caminhos desconhecidos. Eles iram se entrelaçar mais, se tornar quase um, esta historia não se limita a um encontro, a uma despedida. E eu lhes mostrarei, leitores inspirados, sedentos de novas manifestacoes do amor, o desenrolar dessa sutil e suave historia de um casal desconhecido, mas intimamente entrosado.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Imagem de vida e morte

A morte eh mesmo um assunto tabu na nossa sociedade, eh um tema complexo, mas paradoxalmente simples. A morte eh algo que faz parte do nosso cotidiano desde a infância. São horas de partida frequentes ao longo da vida. Em oposição a morte esta o nascimento, pessoas que chegam e realimentam a nossa esperança, o desejo de viver. Chego a pensar que em cada pessoa que vejo morrer, morre também um pouco de mim, mas em cada pessoa que vejo chegar a vida eh como a reposição de um pedaço que faltava.

A morte esta sempre presente causando de alguma forma a ausência de pessoas que amamos, ou mesmo pessoas que nem conhecemos. Um avo com quem falamos poucas vezes, um irmão que temos que ver partir, um amigo que vai embora e perde o contato, ou mesmo alguém com quem não queremos mais falar. A morte não eh apenas o fim da vitalidade, mas o fim do relacionamento, o fim de abtos ou atividades que outrora eram comuns e ate indispensáveis.

Contudo a morte não eh solitária, mas gosto de pensar que a morte eh apenas uma possibilidade de trova e de renovação, mesmo que por muitas vezes a morte venha em momentos inesperados levando coisas ou pessoas a quem dedicamos carinho e que gostamos muito, ela acaba por dar espaço para novas experiências e novas pessoas. Eh como um ciclo que não pode parar, pessoas que vem e vão, vidas que se iniciam e se encerram. Assim como as pessoas que vi morrer, quer pelo fim dos batimentos, quer pelo ultimo adeus, sempre deixaram saudade, mas a própria vida acalenta seus filhos com novas possibilidades.

Quem eh que não se sente renovado pelo choro de uma criança recem-nascida? Quem ano vê um novo sopro de vida em uma nova amizade que se inicia? Por isso, por mais dolorosa que possa ser a perda de alguém eh preciso abrir o coração e a mente para perceber que cada partida eh apenas meio para uma nova chegada, um fim eh apenas um novo inicio. A gente tem o costume de nos prender a coisas presentes, sem pensar que o melhor da vida pode ainda estar por vir.

"Me assombra tua face negra enfeitada de noite
Me assusta a forma sucateira com que te aproximas
Me entorpece a sua impetuosa ação
Me desnorteia a fúria irreal com que carrega-nos
A beleza escondida pelo teu manto negro e a foice impiedosa
Reflete-se nas flores esquecidas, deixadas ao chão
Espelha-se na face enrugado daquele que nasce
Cada chegada já marcada pela partida
Não se escolhe o momento, nem de chegar nem de partir
Escolhe-se apenas a trajetoria
Marcada por uma despedida inicial e um ola final
Adeus inicio, adeus nascimento, adeus novo
Ola fim, ola sol poente, ola morte doente insaciável."