sexta-feira, 15 de abril de 2011

Não se forçam diferenças

Imperfeitos e perfeitos convivem lado-a-lado todos os dias, como parceiros, mas com o abismo medonho entre eles. O imperfeitos, a principio, geram repulsa, receios, duvidas se devem ser aceitos. Ao ver algo muito estranho nos perguntamos "o que é isso?", mesmo que seja algo dentro dos nossos hábitos, apenas um pouco diferente. Já o perfeito, é outra história,as coisas assim tendem a trazer um certo conforto, ouso até dizer que traz certa paz. As perfeições dispensam questionamentos e criticas, coisas perfeitas nem mesmo precisam de elogios, adjetivos, esses são meros adornos falhos a algo divino. É como dizer que Deus precisa do homem, sendo o inverso a realidade. Apesar de expor minha pobre visão de perfeição, o foco hoje é o imperfeito. Me pergunto por que o imperfeito chama tanta atenção? Se nossa sociedade prega tanto a aceitação da adversidade, o que nos leva a ficar tão abismados com aqui que esta fora do lugar? A verdade que os pré-conceitos estão tão entranhados em nós que é difícil não nos ater a algo "errado". Se olhar uma parede lisa, perfeita, pintada e sem deformações, no maximo vamos dizer que está bem feita, foi um bom trabalho feito na parede. Mas se essa mesma parede tem apenas um pequeno arranhão, um prego, ou mesmo uma pequena ondulação, isso já é o bastante para talvez darmos as mesmas felicitações pelo trabalho na parede, contudo o olhar vai estar voltado para a imperfeição, todo o universo perfeito na parede se perde, apenas pela pequena deformidade. Hoje é vigente no nosso meio social uma série de políticas e praticas de "inclusão", contudo são ações muito relativas, pois querem quebrar divisões que se perpetuam por gerações, ou menos séculos, em dias. Claro que o preconceito não deve gerar discriminação, violências e tudo mais, mas será que algumas diferenças não devem ser respeitadas, ao invés de simplesmente jogar toda a sociedade num mesmo saco? Não foi isso que aconteceu com a África mediante o Imperialismo, um monte de tribos rivais, colocadas em um mesmo espaço geográfico? Colocar tantas diferenças dentro de um mesmo contexto não gera atrito? Não estou dizendo com isso que barreiras devam ser mantidas, brancos de um lado e negro de outro, jamais. Acredito no poder da inclusão, na função da culturalização, mas mesmo nos países mais cultos certos preconceitos ainda geram uma série de discriminações, o que dizer do Brasil, que é um poço, ou uma panela de adversidades, onde querem misturar tudo sem se dar conta das diferenças da cultura do sul ao norte? Mais ainda, é preciso perceber que certos grupos no nosso país ainda não se abrem as diferenças, ainda não tem consciência da necessidade de se manter a própria cultura, mas sem se fechar para a cultura alheia. Aí caímos no exemplo que dei ao iniciar este texto, uma pessoa de sunga e chinelo em meio a varias pessoas de terno e gravata vai no mínimo gerar um grande choque. Por isso certas mudanças devem ser realizadas gradativamente. Eu não posso forçar a minha verdade ou a minha realidade a todo o meio. Por muito tempo a história foi banhada em sangue por pessoas que queria justamente forçar seu ponto de vista, massacrando o que parecia imperfeito, hoje o papel se inverte, as minorias querem se expor ao meio e forçar a aceitação, vezes com atos violentos, mesmo que não sejam atos violentos fisicamente, mas moral ou psicologicamente. Acredito que as diferenças devem ser introduzidas no meio aos pouco, sem necessidade de choque, de confrontos diretos. Discussão sempre irá existir, mas podemos conduzir os desentendimentos de forma calma e não violenta, trabalhando para que as diferenças, as imperfeições ou mesmo os erros se tornem padrão. A história também nos mostra que mudanças sociais, legislativas e históricas também acontecem por meios pacíficos.