
Com o inicio de um novo ano, antigos conceitos, duvidas, questionamentos e discussões voltam à tona na nossa sociedade e em nós mesmo. Não obstante, advêm ainda novas esperanças, desejos, sonhos e decisões. Contudo, tento ater-me a uma questão que vinha sendo levantada ao longo dos últimos anos, que acredito ainda que deva ser dialogada ao longo dos anos que se seguem, por conta da importância de uma consciência popular e do reconhecimento, acima de tudo, interno no Brasil, entre a própria população e ampliando este reconhecimento para as pessoas de outras nacionalidades.
Nós, como brasileiros que somos, devemos levantar em nós o reconhecimento, ou ainda a identificação do desejo ou mesmo do razoável conceito de brasilidade, conceito este que vem sendo amplamente debatido. Num país tão misto e até místico como o nosso é difícil se prender a uma definição, visto que definições tendem a limitar identidades, impondo assim a falta de liberdade sobre o ser. Contudo, julgo necessário a cada um de nós nos reconhecermos como este ser brasileiro, independente de raça, opção sexual, religiosa, posição social, endereço e etc.
Vejo como grande dificuldade da aceitação do nacional no Brasil a questão relativa ao respeito, de forma mais ampla, as questões regidas pela educação, esta que no Brasil é pobre, fraca, não apenas pelas nossas escolas ampla e repetidamente abandonadas por governos e sucateadas até pela própria população, o que nos leva a grande questão: a educação que parte do lar, educação que se inicia na família. Vejo este como o grande problema, uma grande massa que já não se reconhece como brasileiro, ou mesmo que não sabe exatamente como formar um conceito próprio de identidade e de nacionalidade. Essa dificuldade é ainda alimentada por uma grande dificuldade das pessoas se reconhecerem até mesmo como humanas. Numa sociedade que se vê tão preocupada com igualdade social, causa no mínimo um certo desconforto, para não falar na incompreensão, ver na TV, por exemplo, um cão melhor tratado que a própria pessoa.
Visto um longo trajeto de abandono da população de si mesmo, por conta de governos despreocupados ou de pessoas movidas por valores e desejos meramente capitalistas, chegamos ao lugar, ou o momento em que estamos. Não é, contudo, hora de cruzar os braços como se nada tivesse solução, mas sim de se mover, buscar o próprio conhecimento e passar adiante. Em uma pequena viagem para estados, ou mesmo cidades vizinhas, ou ainda dentro da nossa própria cidade, com pessoas que moram do nosso lado, ou que convivem conosco, percebemos o descaso com a própria cidade. É triste e pode soar até preconceituoso falar isso, mas as vezes vejo porcos, ao invés de pessoas, isto porque vejo pessoas que praticamente defecam no lugar onde vivem. Não falo isto de forma literal, embora possa acontecer, mas pessoas que alimentam a criminalidade compactuam com delitos, crimes, infrações, gente que sujo o ambiente onde vive, ou que destrata os seus iguais.
Vivemos querendo, quanto brasileiros, nos comparar ou buscar nos assemelhar a estrangeiros, é até aceitável, visto que devemos observar, assimilar e utilizar as coisas boas, contudo não é o que acontece. Temos uma rica cultura, uma multiplicidade imensa que é grossamente esquecida. Já a parte boa, a educação, o comportamento com os outros, a forma como se respeita o outro, o espaço o ambiente, tudo que há de melhor nas sociedades mais "avançadas" nós não buscamos aplicar a nossa sociedade.
É um tema muito amplo e que pode e deve ser debatido por muito mais tempo e em varias camadas da sociedade, mas o que quero mesmo é chamar a atenção dos leitores desde pequeno blog, para que possam dentro de suas limitações, dentro do meio em que vivem, em gestos também pequenos expor um pouco da sua consciência nacional, quer no ato de por o lixo no lugar certo, cuidando de si, mantendo uma boa relação com seus semelhantes, entre outras coisas. Que possamos vestir a nossa própria brasilidade, dentro da nossa formação, educação e desenvolvimento psicológico e social, para fortalecer a nossa personalidade e a nossa sociedade com a nossa própria expressão cultural e ideológica.